sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sono tutti buona gente



Em tempos de padrone Berlucosni com seus escândalos inomináveis e politícas de imigração absurdas, conheci por força de uma das pesquisas para a faculdade dois italianos que foram fundamentais para o teatro no Brasil dos anos 50 e 60: Adolfo Celi e Gianni Ratto. Ambos com seu charme e sedução próprio dos habitantes da bota, contribuírão para a montagens das grandes peças deste palco do Brasil.

O siciliano Celi vem para o Brasil em 49 para assumir o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) que consegue a façanha de mesclar peças de valor comercial com grandes clássicos muito bem acabados. Ele empreende o moderno teatro brasileiro contando com Cacilda Becker, Cleyde Yáconis e Sérgio Cardoso subvencionados por Cicillo Matarazzo. Depois do TBC, funda a Companhia Teatro Tônia-Celi-Autran (CTCA) com a entâo esposa Tônia Carrero e Paulo Autran que tem como a peça Otelo o seu grande marco. Em 2006 o seu filho lança um documentário que relata a vida deste homem entre estas duas culturas - Adolfo Celi, un uomo per due culture.

Já o milanês multimídia Ratto -Diretor, figurinista, iluminador, cenógrafo, tradutor, escritor e ator - teve de parar os estudos de arquitetura por ocasião da segunda guerra, mas reconstruiu o Teatro Italiano em grande estilo, tornando-se o maior cenógrafo da Europa. Trabalhou com Maria Callas e Stravinsky. Atingindo o sucesso, mas com sede de novidade, vem para o Brasil a convite de Maria Della Costa em 54.
Dirige "O Mambembe" que é um grande momento do teatro brasileiro. Dirige o Teatro dos Sete de Sérgio Brito, Fernando Torres, Fernanda Montenegro e Ítalo Rossi. Leciona artes dramáticas, organiza o Departamento de Teatro do MASP. Segundo Bárbara Heliodora em seu depoimento para o Museu da Imagem e do Som (MIS) era um homem que sabia tudo. Em breve, o Instituto Gianni Ratto será inaugurado em Perdizes, na cidade de São Paulo, com todo o seu acervo para a pesquisa.

Celi sai de cena aos 64 anos em Roma e Ratto em 2005 em São Paulo aos 89. Como os dois tecidos da cortina do norte e sul da Itália eles abriram ao teatro brasileiro uma nova e extraordinária perspectiva. São ou não são boa gente?

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